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09 de Abril de 2017
Avaliação:

Atonia uterina

 

Logo após o nascimento do bebê e saída da placenta, um mecanismo importantíssimo para o controle do sangramento pós parto é acionado. Trata-se de uma contração uterina potente, cuja função é a oclusão dos vasos sanguíneos no útero.
 

Atonia ocorre quando o útero não contrai adequadamente após o parto, sendo responsável por 80% dos sangramentos deste período. Pode acontecer em até 1 a cada 20 partos.

 

Os principais fatores de risco para atonia são:

  • Fatores que sobredistendem as fibras uterinas como: as gestações gemelares, bebês grandes e muito líquido amniótico (polidrâmnio)
  • Fatores que deixam o útero “exausto” como: trabalhos de parto prolongados e uso exagerado de ocitocina
  • Processos infecciosos locais
  • Medicamentos usados no parto como: a anestesia geral e o sulfato de magnésio
  • Presença de restos placentários

 

Seu tratamento inicial é feito por massagem do útero e medicamentos que ajudam em sua contração. Na falha e se disponível, pode-se usar alguns tipos de balão intrauterinos e/ou métodos que ocluam temporariamente o fluxo de sangue para o útero (embolização) que podem ajudar na estabilização e resolução do quadro. Na ausência desses métodos, nos casos refratários a estes tratamentos ou em caso de alterações graves da parte circulatória (instabilidade hemodinâmica), o passo seguinte deve ser a cirurgia para a provável retirada do útero (histerectomia).

A hemorragia pós parto é a principal causa de morte materna no mundo e por isso deve ser prevenida e tratada de forma precoce e correta.


Dr. Wagner R. Hernandez
Médico Obstetra e Ginecologista formado pela USP
Diretor do Centro Obstétrico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Tel.: (11) 2367-0710 / (11) 9.5000-2562