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07 de Julho de 2016
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Protegendo seu bebê antes do nascimento

 

 Não há alegria maior para uma mulher que o anúncio da gravidez e da chegada de um novo bebê. São momentos de extrema felicidade e preocupação com todos os cuidados que cercam a gestação e a saúde da criança que está por vir.


Exames pré-natais, ultrassonografias, alimentação saudável, prática de exercícios, vitaminas... Tudo para que a gravidez se desenvolva normalmente e o bebê nasça saudável. Todos os preparativos são cuidadosamente trabalhados: o enxoval, o quarto, o berço, as lembrancinhas. Um momento mágico na vida da mulher, do casal e da família.
 


Entre os cuidados pré-natais, hoje conhecemos bem o valor das vacinas na prevenção de doenças tanto para a mulher como para seu filho.



A gestação torna a mulher mais vulnerável a algumas infecções que podem se manifestar de forma mais grave nesse período da vida. Além disso, algumas vacinas, aplicadas, durante a gestação, podem proteger indiretamente o recém-nascido pela passagem dos anticorpos da mãe através da placenta e, após o nascimento, através do leite materno. Essa vem sendo uma estratégia bastante utilizada, em todo o mundo, para prevenção de gripe, coqueluche, tétano e hepatite B.


A gravidez é, portanto, um momento de especial atenção na prevenção de doenças, e devemos estar atentos para não perder essa oportunidade. O calendário vacinal da gestante deve ser cumprido à risca!


Hepatite B

É uma doença grave pelo potencial de se tornar crônica e evoluir para cirrose e câncer de fígado. Quanto mais cedo se adquire a infecção, maior o risco. A passagem do vírus da gestante para o bebê é importante forma de transmissão da doença, e a vacinação da grávida é fundamental nessa prevenção. Os bebês também devem ser vacinados logo ao nascer, e essa estratégia combinada, vacinação da gestante e do recém-nascido, praticamente elimina o risco de transmissão.


Tétano

o tétano, quando acomete o recém-nascido (tétano neonatal), é uma doença grave, quase sempre fatal, e é causada pela contaminação do coto umbilical do bebê no parto ou após o nascimento. A vacinação da gestante protege a criança dessa enfermidade, além de ser uma ótima oportunidade de atualizar o calendário vacinal da mulher.


Influenza (gripe)

a gestação é fator de risco para o desenvolvimento formas graves da doença, e a vacinação é capaz de evitar internações, uso de antibióticos e prevenir mortes. Vários estudos têm demonstrado também que a vacinação contra a gripe na gravidez protege o recém-nascido da doença no primeiro semestre de vida, época em que ele ainda não pode receber a vacina. A proteção se dá pela transferência de anticorpos da mãe para o bebê através da placenta, e se prolonga por meio da amamentação.
Além disso, a vacinação é também capaz e de prevenir o parto prematuro e o baixo peso ao nascer.


Coqueluche

a coqueluche vem aumentando em todo o mundo, e os casos graves concentram-se, em sua quase totalidade, nos primeiros meses de vida, época em que o bebê é mais vulnerável e ainda não recebeu seu esquema vacinal completo. A vacinação da gestante é capaz, através da transferência de anticorpos, de proteger o bebê contra essa importante infecção, e deve se aplicada após a 26ª semana de idade gestacional, época de maior transferência dessa proteção. Se por ventura a mulher não foi vacinada durante a gravidez, deve fazê-lo logo após o nascimento.
 


A vacinação de pais, irmãos, avós e todos aqueles que convivem com o recém-nascido está também indicada. Todas essas vacinas são eficazes e seguras na gestação, e não causam nenhum problema para a gravidez nem para o bebê. O período pós-parto é também um excelente momento para completar o esquema vacinal da mulher (hepatite A, HPV, rubéola e outras).



Em resumo, para vocês, futuras mamães, que querem ver seus filhos saudáveis, a hora é esta! Protejam-se a si próprias e a seus bebês.


 

Dr. Renato de Ávila Kfouri
Pediatra e neonatologista do Hospital e Maternidade Santa Joana
e Diretor da Sociedade Brasileira da Imunização (SBIn)

renatokfouri@uol.com.br